7 mortos em acidente após festa, e desrespeito a quarentena!

Familiar de pedreiro que estava em carro que atingiu ônibus, o vendedor Dinei Soares reconhece que grupo desrespeitou quarentena da Covid-19, mas aponta riscos da estrada vicinal em Sertãozinho: 'ali já morreu muita gente'.

Por Harlis Barbosa 21/04/2020 - 10:55 hs
Foto: Imagens extraídas da internet
7 mortos em acidente após festa, e desrespeito a quarentena!
Montagem hbsportnews

Uma festa em plena quarentena contra o novo coronavírus, um carro com mais pessoas do que o permitido, uma curva perigosa no caminho. Para o vendedor Dinei Soares da Silva, irmão de uma das vítimas da colisão de um automóvel com um ônibus que matou sete amigos em Sertãozinho (SP), o acidente do último domingo (19) na estrada vicinal Alcídio Balbo foi resultado de uma sucessão de erros.

 

"Se for ver, não era para ter a festa, não sei. Jovem também não pensa. Eles são culpados também, foram desobedientes, não era para estarem lá. Outra coisa: aquela curva do Balbo é uma curva fechada, ali já morreu muita gente e não consertam. Ali é fatal", afirma Dinei.

 

O irmão dele, o pedreiro Ailton Soares da Silva, de 36 anos, e outras seis pessoas estão sendo velados e enterrados ao longo desta segunda-feira (20) em locais e horários distintos desde as 7h para evitar aglomerações e reduzir os riscos de contágio do novo coronavírus.

 

Os familiares aguardam um posicionamento da Prefeitura de Sertãozinho (SP) sobre as condições da estrada vicinal. A administração municipal não tinha, até domingo, denúncias sobre a festa frequentada pelas vítimas.

 

Segundo a Polícia Civil, o grupo voltava de uma festa em uma chácara no bairro Colinas de São Paulo quando o carro, um Fiat Palio, bateu de frente com um ônibus por volta das 6h30 na estrada vicinal entre Sertãozinho e o distrito de Cruz das Posses.

 

Os ocupantes do automóvel morreram no local. As autoridades ainda não confirmam quem era o condutor. As vítimas são:



 

·         Mateus Henrique Sclaunick, de 23 anos

·         Ailton Soares da Silva, de 36 anos

·         Maycon Douglas Pereira de Carvalho, de 26 anos

·         Daniela Genari Santos, de 15 anos

·         Isadora Vasconcelos da Silva, de 17 anos

·         Beatriz Vasconcelos Ferreira, de 19 anos

·         Jefferson Luis dos Santos Meira, de 30 anos

 

 

O motorista do ônibus disse que não houve tempo de desviar, uma vez que o veículo invadiu a pista contrária em uma curva. Ele fez o teste do bafômetro e o resultado deu negativo.

O caso foi registrado como homicídio culposo - ou seja, cometido sem intenção - na direção de veículo. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente, bem como a realização da festa, que contraria as determinações das autoridades.

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Dinei relata que não sabe onde ocorreu a festa, mas conta que Ailton foi a convite dos amigos, mesmo sabendo das restrições contra a pandemia do novo coronavírus e mesmo vivendo com os dois avós, enquadrados no grupo de risco da doença.

"Eu o vi na sexta-feira. Ele trabalha com construção. Na sexta-feira ele estava lá na construção, alegre, sossegado. Ele era um menino sossegado. (...) Ele foi para essa festa, os meninos passaram lá, pegaram ele, ele nem ia, pegou e acabou indo", conta.

O vendedor afirma que soube da colisão por volta das 7h, quando foi chamado a reconhecer o corpo do irmão. Para ele, o desfecho do acidente não ameniza o fato de o grupo ter desrespeitado o isolamento social, além de ter viajado em em sete pessoas no carro.

 

"Ele sabia. Todo mundo sabe, todo jovem sabe que não podia ter e nisso ele também foi desobediente. Sabia que não podia ter festa, que não podia ir à festa."

 

Por outro lado, Dinei ressalta os perigos do trecho onde o carro atingiu o ônibus. O local da batida, de acordo com ele, é muito estreito e oferece riscos a quem desconhece a pista.

 

"Quem desce acima de 60 [km/h] naquela curva ali e não diminuir vai pegar e abrir na contramão para conseguir fazer a curva. Onde foi fatal o acidente também. Tem fator de todos os lados. (...) Tinham sete no carro, eles estavam errados, mas também têm essas curvas", diz.



 

O vendedor relata que, horas depois do acidente, familiares que iam para o velório de Ailton em Sertãozinho se envolveram em um acidente sem vítimas em outra curva perigosa.

 

"Eles rodaram a caminhonete na mesma vicinal e quase morreram para virem para o enterro. A curva fechada, não conheciam a estrada, não tem sinalização. Eles rodaram a caminhonete na curva também ali ontem [domingo]".

 

O velório, segundo Dinei, está marcado para acontecer entre 14h e 17h no Velório DiAngelo Familiar, no Jardim Helena. Nascido em Montes Claros (MG), o pedreiro não era casado, mas tinha três filhos e cuidava dos avós de 75 e 85 anos, com quem vivia. "Todos estão abalados, todos ficaram em estado de choque", lamenta.

 

Outras reuniões ocorrem no Velório Municipal. Os enterros estão programados para acontecer no Cemitério Cristo Rei e Cemitério Papa Paulo VI.

"A família desse povo é muito grande. Se juntar dá mais de 2 mil pessoas, então não tem como. Todo mundo quer olhar. Foi melhor fazer isso. Era muita gente. Só da nossa família dá mais de 200 pessoas, fora os amigos."

 

Fonte G1 SP