Pai e filha se consagram campeões em Mundial de Jiu-Jitsu

Cuiabanos, os dois venceram torneio realizado em São Paulo, no final de julho

Por Harlis Barbosa 05/08/2019 - 08:56 hs

Pai e filha se consagram campeões em Mundial de Jiu-Jitsu
imagem web

É motivo de alegria e orgulho para qualquer pai ver a filha vencer um campeonato. Mas imagina ver pai e filha consagrando-se campeões no mesmo torneio mundial? Foi o que aconteceu com o atleta de Jiu-Jítsu Kaike Angelim e a pequena Geovana Angelim, no último final de semana, em São Paulo. 

Os dois participaram pela primeira vez de um torneio juntos.

Incentivada e apoiada pela família, a menina, que tem apenas 5 anos, já havia vencido outros cinco campeonatos estaduais. No entanto, esta é a primeira vez que os dois viajaram juntos para competir fora de Mato Grosso, o que virou motivo de felicidade e orgulho para o atleta.

Ele levou a medalha de ouro após quatro lutas vencidas. Já Geovana precisou superar dificuldades para levar a medalha de ouro para casa. Ela precisou lutar com uma adversária que tinha um ano a mais que sua idade, uma faixa além e também mais tempo de treino que ela.

Em entrevista  o lutador Kaike Angelim conta como foi o campeonato e a alegria da filha ao saber que tinha vencido a luta.

“Se ela quisesse, poderia simplesmente pegar a medalha e ir embora porque ganharia por W.O [quando o adversário não aparece], mas ela queria lutar, seja com alguém de idade mais avançada ou até menino. Ela queria lutar”, disse.

“Ela lutou na categoria ‘mirim’, que é acima da dela, porque a dela era ‘pré-mirim’, mas não tinha adversário para ela. A única adversária que tinha era dessa faixa maior que a dela, que era a branca. A [faixa] da outra garota era cinza”, contou.

Após a luta, o atleta, que também é professor da pequena, não teve alternativa senão graduá-la. Agoea, a pequena lutadora carrega as cores cinza e branca em sua cintura.

Tal pai, tal filha

Kaike, que já tem um longo histórico de lutas vencidas e disputas em diversos países, revela que nunca forçou para que a filha treinasse ou tampouco gostasse de Jiu-Jítsu. De acordo com ele, a vontade de começar a levar a sério o esporte partiu por conta da própria Geovana.

“Eu sempre quis que ela treinasse sim, mas nunca a coloquei no tatame. Um dia ela chegou e pediu um kimono de presente para mim e a minha namorada deu um para ela. Foi quando ela quis treinar e passou a se dedicar”, disse.

Dedicada, a cuiabaninha treina há apenas um ano, e a sua primeira luta, segundo o pai, ela venceu quando sequer treinava de verdade e apenas brincava nas horas vagas com ele no tatame.

O lutador se diz suspeito para falar, mas acredita que a filha tem um grande potencial para se tornar uma atleta de prestígio e espera poder ajudá-la a alcançar os pódios.

“Para mim é um orgulho como pai, porque ela sempre me acompanhou nos campeonatos, me via lutando. E agora, vê-la seguindo os meus passos na arte marcial é muito satisfatório. Porque a educação dela e a disciplina, eu costumo dizer que isso foi criado dentro da arte marcial, que é a doutrina que eu aprendi e fui passando para ela”, disse.

“Ver a carinha dela na hora que ela ganhou a luta foi maravilhoso, porque ela é bem tímida. Quando fui graduar ela no pódio, ela me deu um abraço, e eu me emocionei por a ver seguindo esse caminho. E saber que ela gosta mesmo do esporte me fez enxergar que ela pode se tornar um ícone mundial. É mais fácil para ela, que começou com quatro anos,  do que foi pra mim que comecei com 20 anos. Como pai, eu fico muito orgulhoso”, afirmou.