“Como falar em aumento se não estamos pagando folha em dia?”

Profissionais cobram RGA e cumprimento da Lei da Dobra do Poder de Compra, aprovada em 2013

Por Harlis Barbosa 24/05/2019 - 08:29 hs

“Como falar em aumento se não estamos pagando folha em dia?”
Montagem hbsportnews

 

CAMILA RIBEIRO 

O secretário de Estado de Gestão Basílio Bezerra praticamente descartou a possibilidade de o Executivo conceder qualquer tipo de reajuste salarial aos profissionais da Educação.

A categoria decidiu em assembleia geral iniciar uma greve a partir da próxima segunda-feira (27). Eles afirmam que o movimento é resultado das ações do Governo em relação à Revisão Geral Anual (RGA), ao escalonamento salarial e ao descumprimento da lei que prevê a dobra do poder de compra nos salários dos professores.

A lei, aprovada em 2013 pelo então governador Silval Barbosa, dá direito 7,69% a mais anualmente na remuneração dos professores, além da RGA, durante 10 anos.

“Hoje o Estado passa por uma dificuldade financeira substancial. Para termos ideia, em abril tivemos um déficit de caixa de R$ 72 milhões. Se estender isso para os próximos meses, chegaremos ao final do ano com déficit de R$ 700 milhões aproximadamente”, disse o secretário.

Como falar em aumento de salário se não estamos conseguindo pagar nem a folha em dia? Seria contraproducente e uma medida de antigestão do Governo

“Então, como falar em aumento de salário se não estamos conseguindo pagar nem a folha em dia? Seria contraproducente e uma medida de antigestão do Governo”, acrescentou Basílio.

As declarações foram dadas em entrevista concedida ao Jornal do Meio-Dia, da Rede Record. 

Vale lembrar que, desde que assumiu o Paiaguás, o governador Mauro Mendes (DEM) tem se valido do esquema de escalonamento para pagar o salário dos servidores. 

Ainda durante a entrevista, o secretário afirmou que o Governo tem mantido diálogo com os profissionais da Educação, inclusive apresentado a todos os números do Executivo.

Na ocasião, Basílio ainda fez um “apelo” para que a categoria reavalie o movimento grevista.

“Quero fazer um apelo aos profissionais da Educação. O Governo tem trabalhado de forma contínua para tentar melhorar o equilíbrio fiscal do Estado. E com isso, ter condições de cumprir todos os direitos dos trabalhadores”, disse.

“Pedimos humildemente que os servidores da Educação não façam greve. Porque essa greve vem numa hora muito crítica vai causar um prejuízo gigantesco para nossas crianças”, afirmou.

Férias a contratados  

O secretário disse por fim que o Executivo se comprometeu a atender alguns pedidos feitos pelos profissionais.

“Algumas demandas apresentadas, dentro da possibilidade do Governo do Estado, serão atendidas. Como por exemplo, o pagamento de 1/3 de férias para os professores contratados. Isso já será implementado nos próximos dias”, disse.

“O governo tem agido com muita transparência, porque é assim que deve ser feito. E não tem deixado nenhuma pergunta sem resposta no que tange ao déficit financeiro”, concluiu.

Notificação

Na última quarta-feira, o Ministério Público Estadual notificou o Governo do Estado a não dar aumento salarial nem RGA para os servidores, citando especificamente os da Educação, Fazenda e Meio Ambiente, para os quais há projetos aprovados.