Green Book vence o Oscar de melhor filme. 'Somos todos iguais', diz diretor

Bohemian Rhapsody, Pantera negra e Roma foram outros vencedores

Por Harlis Barbosa 25/02/2019 - 19:59 hs

Green Book vence o Oscar de melhor filme. 'Somos todos iguais', diz diretor
Montagem hbsportnews

A diversidade -- das cores nos figurinos dos apresentadores aos premiados - deu o tom nas escolhas e nos discursos do Oscar deste ano. O grande vencedor da cerimônia que seguiu num ritmo acelerado, pela ausência de um apresentador, foi Green book - O guia. Outros títulos, como Bohemian Rhapsody, com 4 prêmios; e  Pantera negra e Roma, com 3 cada um, foram bem lembrados.

Vencedor do prêmio de melhor filme, Peter Farrelly destacou que Green booké "sobre descobrir quem somos e que somos todos iguais".

A igualdade entre homens e mulheres apareceu em discursos como o da atriz Helen Mirren, que destacou que homens podem usar cor de rosa ao apresentar o prêmio de melhor documentário ao lado de Jason Momoa. Uma das vencedoras, por Free solo, Elizabeth Chai Vasarhelyi ressaltou a importância da igualdade nos sets. "Contratar mulheres e pessoas de cor só melhora a qualidade dos filmes", afirmou. 

Ovacionado, Spike Lee ganhou o Oscar de roteiro adaptado por Infiltrado na Klan. O discurso dele era esperado e ele foi logo avisando "não desliguem esse microfone". Exaltado, mas breve, ele homenageou ancestrais que trabalham e lutam "mesmo com os genocídios que vemos" e lembrou que estão "quase chegando as eleições americanas. Vamos nos mobilizar e estar do lado certo da história. Vamos estar do lado do amor."

Os 3 prêmios de Pantera negra também marcaram o discurso de representatividade. Com o filme, Ruth Carter foi a primeira negra a ganhar o Oscar de melhor figurino. "Obrigada à academia por homenagear as mulheres e o poder delas. Obrigada pela oportunidade de contar a história afro-americana por meio de figurinos", afirmou, muito emocionada. 

Outra barreira quebrada por Pantera negra foi com a vitória de Hannah Beachler como melhor direção de arte. A primeira negra indicada na categoria ressaltou que está "mais forte do que estava antes por causa das mulheres que me apoiavam todo dia porque eu pensei várias vezes em desistir."

Estrangeiros

Com as 10 indicações a Roma e a inclusão de títulos como Guerra fria em categorias que não a específica para os estrangeiros, a presença de estrageiros no palco do Dolby Theatre foi maciça.

Apresentador da categoria de melhor filme estrangeiro, o ator Javier Bardem lembrou que havia filmes não americanos em outras categorias, como a de filme e direção e ressaltou a "importância da cultura e da língua de todos os países estarem representados". Depois, ele passou a palavra a Alfonso Cuaron, vencedor por Roma.

"Cresci vendo filmes em língua estrangeira, aprendendo muito com eles, me inspirando. Filmes como Cidadão KaneTubarão, e não há ondas, só um oceano. Acho que os indicados de hoje são prova de que somos parte do mesmo oceano", disse Alfonso Cuarón ao receber o prêmio de melhor filme estrageiro, o primeiro da história para o México.

Cuarón ainda subiu ao palco para receber, das mãos de Guillermo del Toro, o Oscar de direção. Ali, ele lembrou a atriz Yalitza Aparicio, protagonista de Roma. "É preciso olharmos para os outros", afirmou o mexicano, ao se referir à personagem de Yalitza, uma empregada doméstica

O prêmio de melhor ator para Rami Malek também trouxe à luz a questão dos estrangeiros. "Eu sou descendente de egípcios e americano de primeira geração. Parte da minha história está sendo escrita agora", afirmou Malek, que viveu Freddie Mercury em Bohemian Rhapsody e levou o Oscar mesmo sendo a terceira opção para o papel. "Não fui a escolha mais óbvia, mas a melhor", provocou.

Por falar em escolha não óbvia, a premiação de Olivia Colman como melhor atriz por A favorita pareceu surpresa até para ela. Emocionada, ela disse que era uma experiência "estressante e hilária" e fez questão de render homenagem a Glenn Close, que concorria por A esposa.

Dois nomes foram muito ouvidos durante a premiação: Spike Lee e Netflix. O cineasta de Infiltrado na Klan foi aclamado por colegas negros em vários momentos e foi ovacionado ao receber o Oscar de melhor roteiro adaptado. O serviço de streaming também nadou de braçada, ao emplacar Roma e o curta  Period. End of sentence entre os vencedores.

Confira os vencedores

Melhor filme

Green book - O guia

 

Melhor direção

Alfonso Cuarón (Roma)

 

Melhor ator

Rami Malek (Bohemian Rhapsody)

 

Melhor atriz

Olivia Colman (A favorita)

 

Melhor ator coadjuvante

Mahershala Ali (Green book - O guia)

 

Melhor atriz coadjuvante

Regina King (Se a Rua Beale falasse)

 

Melhor filme estrangeiro

Roma (México), de Alfonso Cuarón

 

Melhor animação

Homem-Aranha no Aranhaverso

 

Melhor roteiro adaptado

Infiltrado na Klan (Spike Lee, Charlie Wachtel, David Rabinowitz e Kevin Willmott)

 

Melhor roteiro original

Green book - O guia (Nick Vallelonga, Brian Currie, Peter Farrelly)

 

Melhor fotografia

Roma (Alfonso Cuarón)

 

Melhor direção de arte

Pantera Negra (Hannah Beachler e Jay Hart)

 

Melhor figurino

Pantera Negra (Ruth Carter)

 

Melhor cabelo e maquiagem

Vice (Greg Cannom, Kate Biscoe e Patricia Dehaney)

 

Melhor edição

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Bohemian Rhapsody (John Ottman)

 

Melhor trilha sonora

Pantera Negra (Ludwig Goransson)

 

Melhor canção original

Shallow (Nasce uma estrela)

 

Melhor edição de som

Bohemian Rhapsody (John Warhurst e Nina Hartstone)

 

Melhor mixagem de som

Bohemian Rhapsody (Paul Massey, Tim Cavagin and John Casali)

 

Melhores efeitos visuais

O primeiro homem (Paul Lambert, Ian Hunter, Tristan Myles e J.D. Schwalm)

 

Melhor documentário

Free solo, de Elizabeth Chai Vasarhelyi, Jimmy Chin, Evan Hayes e Shannon Dill

 

Melhor documentário em curta-metragem

Period. End of sentence

 

Melhor curta-metragem em animação

Bao

 

Melhor curta-metragem

Skin