Piloto Tammie de 56 anos consegue pousar avião sem uma turbina e salva 149 passageiros nos EUA “Nervos de Aço”

Tammie Jo Shults, de 56 anos, manteve a calma durante pouso de emergência após explosão de motor e janela quebrada. Primeira mulher a pilotar um caça F/A-18 Hornet nos EUA foi militar antes de entrar para a aviação comercial.

Por Harlis Barbosa 19/04/2018 - 11:21 hs

Piloto Tammie de 56 anos consegue pousar avião sem uma turbina e salva 149 passageiros nos EUA “Nervos de Aço”
imagem web

 

Passageiros elogiaram os “nervos de aço” da piloto da Southwest Airlines que conseguiu fazer um pouso de emergência no Aeroporto Internacional da Filadélfia, na Pensilvânia, na terça-feira (17) depois que o avião sofreu uma explosão em um dos motores e teve uma das janelas quebrada por estilhaços da fuselagem.

O voo 1380 estava a caminho de Dallas, no Texas, com 149 pessoas a bordo, quando o motor explodiu e estilhaços quebraram a janela. Com isso, a passageira Jennifer Riordan, de 43 anos, teve parte do corpo sugada para fora da aeronave. Sete pessoas ficaram feridas no acidente.

Tammie Jo Shults, de 56 anos, manteve a calma e, para os passageiros, conseguiu evitar uma tragédia maior.

A piloto conseguiu fazer o pouso de emergência ao descer rapidamente, enquanto passageiros usavam as máscaras de oxigênio que caiam dos compartimentos acima de seus assentos e se preparavam para o impacto.

Nervos de aço

O passageiro Alfred Tumlinson, de Corpus Christi, Texas, disse à Associated Press, que Shults e sua equipe foram extremamente profissionais.

“Ela tem nervos de aço. Aquela mulher, eu a aplaudo. Vou mandar a ela um cartão de Natal. Com um vale-presente por ter me colocado no chão. Ela foi sensacional”.

“A mulher, a tripulação, tudo, todos foram perfeitos. Eles foram tão profissionais no que fizeram para nos colocar em solo”, acrescentou.

Passageiros disseram ainda que, assim que o avião pousou, a piloto caminhou pelos corredores e conversou com eles para se certificar de que estavam bem.

Peggy Phillips, de Brandon, Texas, também estava a bordo e disse à emissora NBC que considera a piloto “uma heroína”.

“A maioria de nós, quando aquele motor explodiu, acho que estávamos meio pensando ‘bem, acho que já era’”, lembra.

“Nos colocar no chão com um motor explodido e nos pousar em segurança é nada menos do que um milagre para mim. Ela é uma heroína, com certeza”.

Gravação

A tranquilidade de Shults pode ser comprovada pelo tom de sua voz na gravação de sua comunicação com a torre de comando do aeroporto, quando ela relatou o acidente. Após informar sobre a explosão, ela foi questionada se o avião estava em chamas.

“Não, não está em chamas, mas parte dele está faltando”, disse, fazendo uma breve pausa. “Disseram que há um buraco e que alguém saiu”.

“Desculpe, você disse que tinha um buraco e alguém saiu?”, perguntou o controlador em tom de incredulidade.

“Sim”, respondeu a piloto, ainda mantendo o controle emocional.

Carreira militar

Tammie Jo Shults tem 56 anos e se formou em 1983 pela universidade Midn America Nazarene University, de Olathe, no Kansas, em biologia e agronegócios, segundo uma porta-voz da universidade.

Em seguida, ela se alistou na Marinha, onde se tornou uma das primeiras piloto militar mulher nos EUA, apesar da resistência que sofreu dos colegas homens. De acordo com o jornal “The Kansas City Star”, ela foi a primeira mulher a pilotar um caça F/A-18 Hornet para a marinha norte-americana.

Antes de se tornar piloto comercial, Shults foi treinadora de pilotos na Marinha.

À Associated Press, o cunhado dela, Gary Shults, a descreve como “uma mulher formidável”. Ele diz que seu irmão, Dean Shults, que também é piloto, afirma que ela é a melhor piloto que ele já viu. “Ela é uma pessoa muito atenciosa e dedicada, que cuida de muita gente”, resume.