Investimento em inovação é porta de saída para a crise, mostra série do JN

Por Harlis Barbosa 16/08/2017 - 09:29 hs

Na segunda reportagem que o Jornal Nacional apresenta nesta semana sobre o esforço de brasileiros para inovar, Sandra Passarinho mostra que o investimento em inovação é uma porta de saída para a crise e uma entrada para talentos no mercado de trabalho.

Lá vem o drone, uma aeronave não tripulada, dirigida por controle remoto, com múltiplas utilidades. Nesta versão, ele é usado para ajudar o agricultor a ver como a lavoura está indo.

No começo, foi difícil para a 
Embrapa emplacar essa ideia nova com o dinheiro público.

“Achavam que nós estávamos brincando. E que na verdade era um projeto tecnológico e não de pesquisa”, contou Lúcio André de Castro Jorge, pesquisador da Embrapa Instrumentação.

Essa tecnologia só decolou mesmo de dois anos para cá com o objetivo de aumentar a produtividade e os lucros do setor agrícola, sem atingir o meio ambiente.

A novidade é que foram acoplados sensores ao drone. A equipe também criou programas que leem as imagens captadas e podem ser baixados de graça no site da Embrapa. É possível entender as doenças, as pragas. 

“Olhando por cima, fica mais fácil identificar. Nitidamente esta área tem mais verde, tem mais biomassa, tem mais alimento para o gado. Se eu colocar meu gado aqui, como tá sendo manejado, aqui tem falhas e ele vai ter uma perda de peso provavelmente”.

A crise econômica no país não atrapalhou o projeto: o programa já foi baixado mais de 70 mil vezes.

“Muitos agricultores têm nos procurado, porque, justamente num momento difícil, é onde a inovação pode contribuir com aquele salto”, disse Lúcio.

Se o agricultor tem uma tecnologia, o consumidor também pode ter a dele.

“Tá sempre azeda. Muito difícil, muito raro eu comprar uma fruta dessas, e ela estar doce”, diz a dona de casa Simone Eugênio, escolhendo ameixas num supermercado.

Não dá para abrir nem experimentar a ameixa ali na hora, mas dá para descobrir a qualidade das frutas em segundos com a ajuda de uma máquina.

“Seria perfeito. Porque assim o que a gente compra não vai ter o desperdício dentro da nossa casa”, concorda Simone.

Nós fomos atrás desta inovação neste laboratório da Embrapa, em São Carlos, interior de São Paulo. O princípio de funcionamento é semelhante ao de um aparelho de ressonância magnética usado para exames médicos.

“Pegamos a fruta e colocamos ela dentro do ímã que onde vai ser feita a análise. Agora vou colocar outra laranja. O vermelho é uma laranja doce, e o preto, uma laranja que não é doce”, explica Luiz Alberto Colnago, pesquisador da Embrapa.

E dá para testar também o azeite e até a qualidade da carne.

A máquina não substitui a fiscalização da vigilância sanitária, mas ajudaria o consumidor a escolher os produtos. 

Cada vez mais se pensa em inovações para facilitar o dia a dia das pessoas. Quem nunca ficou numa fila grande? 

“Vou ficar sem almoço porque estou na fila”, diz a jovem.

O engenheiro Fábio Piva teve uma ideia para tentar acabar com as filas nas lojas. Numa livraria de Campinas, ele me mostra como funciona o protótipo de um aplicativo para celular, que permite ao consumidor fazer uma compra sem ter que passar pelo caixa.

“Você aproxima esse aplicativo do produto, obtém informações sobre a história do livro, o preço exato. Isso, ai aparece um botão de compra, você clica nesse botão, se você concordar em comprar, e aí tem um passo extra, que é o diferencial, que você aproxima mais uma vez da etiqueta e aparece a liberação do produto. Então, isso significa que essa etiqueta agora ela não vai mais disparar os alarmes da porta. Cada etiqueta tem a sua senha, então você não pode comprar um produto de 10 reais e tentar desativar uma etiqueta de 200”, explicou Fábio.

O projeto de Fábio está em avaliação numa empresa privada 

Uma reserva ideias vale centavos, não vale nada no mercado. O começo do caminho é definir uma estratégia: o que é possível jogar fora para ficar só com aquilo que poderá fazer uma diferença no mundo real.

“Se você investir em dez projetos, e apenas um der certo, esse único projeto é capaz de cobrir todas as perdas nos outros nove projetos”, disse Caetano Penna, economista da UFRJ.

Para poder tirar uma ideia da cabeça e colocá-la em prática é preciso ter apoio desde cedo, como o próprio Fábio teve.

“Existe uma necessidade de prestar muita atenção nas novas gerações. O aluno de iniciação cientifica de hoje vai buscar uma bolsa, se ele não encontrar, ele vai terminar a graduação dele, talvez ele vai trabalhar fora do país, e aí você perdeu um talento. Então é muito importante a gente cativar e proteger os nossos inovadores”, disse ele.