Futebol Brasileiro está agonizando?

Não é possível que Flamengo, Cruzeiro, Atlético, Vasco, Corinthians e São Paulo não revelem, pelo menos, um grande jogador a cada ano!

Por Harlis Barbosa 12/06/2017 - 09:32 hs

 

Não existem mais craques no Brasil. Nem grandes jogadores. Há alguns poucos bons jogadores. O torcedor de hoje assiste a jogos que são péssimos, sem qualidade, sem técnica. A bola rola 40 minutos de um total de 95, com os acréscimos. Muito pouco para quem realmente ama o esporte bretão. O Palmeiras repatriou Felipe Melo. O cara está mais para lutador de MMA do que para jogador de futebol. Está milionário, pois conseguiu enganar lá fora, e vive desacatando craques brasileiros, como Neto, que foi gênio da bola, e muitos outros. Felipe Melo, medíocre, mal-educado, um cara que disse que não sabia quem era o saudoso capitão do tri Carlos Alberto Torres, que, salvo engano, foi quem o lançou no Flamengo. Por isso o futebol brasileiro está nessa lama.

O torcedor do Cruzeiro vaiou Thiago Neves, de forma sistemática, na derrota para a Chapecoense. Para quem não sabe, Thiago Neves sempre foi um bom jogador, jamais craque. Ficou quatro anos no mundo árabe, onde há pouco treinamento e joga-se apenas uma vez por semana em estádios vazios, onde não há competitividade. É claro que ele chegaria ao Cruzeiro e não renderia o esperado. Sua última grande passagem foi pelo Fluminense, em 2012, quando foi campeão brasileiro. Mesmo assim, sem ser protagonista. Esperar que ele seja a solução para os problemas azuis é ilusão. Eu não queria estar na pele dos dirigentes, pois não há mais jogador no mercado. E, na pressão da torcida, saem buscando atletas que estão encostados no mundo árabe, Leste Europeu e por aí afora. São os novos e péssimos tempos do futebol.

Fico a me perguntar quando os dirigentes vão entender que é preciso voltar a investir nas divisões de base. Esse assunto é recorrente em minha coluna, mas é a única solução à vista. Não é possível que Flamengo, Cruzeiro, Atlético, Vasco, Corinthians e São Paulo não revelem, pelo menos, um grande jogador a cada ano! É inadmissível! O Flamengo revelou esse jovem, Vinícius Júnior, de 16 anos, e o vendeu por R$ 160 milhões ao Real Madrid. É apenas uma promessa. Não teria sido melhor esperar um pouco mais, mantê-lo no grupo até que se torne craque? Eu penso que sim. Desses R$ 160 milhões, R$ 22 milhões foram usados para comprar Éverton Ribeiro. Outros milhões servirão para pagar os salários dele e, dessa forma, a fortuna vai embora. Admito que nenhum clube brasileiro pode recusar tal proposta, pois a maioria está de pires na mão.

Aí você pega times, que todos apontamos como favoritos ao título, como Flamengo e Atlético, e ambos estão na segunda página da tabela de classificação. É bem verdade que o Brasileirão está no começo. Porém, os pontos perdidos agora, principalmente para equipes de médio porte, farão falta no final. De que adianta gastar tanto em contratações de ex-jogadores em atividade, dar satisfação ao torcedor e não ganhar as taças? O clube fica endividado, o torcedor uma arara e o tempo vai passando, sem que os títulos venham. Tá tudo errado. Investir na base é, e sempre foi, o segredo. Lembram-se do Flamengo de Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Figueiredo, Junior, Jorginho, Adílio, Andrade, Júlio Cesar, Lico, Tita, Zico, Nunes, Bebeto, Sávio, Athirson, Leonardo, que formaram verdadeiros esquadrões com a maioria dos atletas saídos da base? Naquela época era assim. Também havia Carlinhos um lapidador de talentos, olhos de lince. Hoje, os dirigentes põem amigos para comandar a base, gente que jamais deu um chute numa bola. Por isso, nosso futebol acabou e temos de nos contentar em ver jogo de verdade pela televisão, como a Liga dos Campeões da Europa. Se eu fosse dirigente de um clube, pagaria uma fortuna a um bom “garimpeiro” de talentos em vez de jogar o dinheiro do clube fora, com a contratação de restolhos brasileiros no exterior. Formar time para que me dê títulos por longo tempo, como fez o Flamengo de Zico, Adílio, Andrade e cia. Porém, como no Brasil tudo mudou, e para pior, o futebol não seria diferente. Estamos na contramão da história na política, economia, saúde, segurança, educação, e também no esporte mais popular do país. Uma pena!