Assalto a transportadora de valores no Recife foi realizado por quadrilha interestadual, diz polícia

Por Harlis Barbosa 21/02/2017 - 21:05 hs

De acordo com as polícias Civil e Militar, o principal objetivo dos assaltantes foi frustrado; grupo visava cofre com o maior montante da empresa.

 

A Polícia Civil acredita que o assalto à transportadora de valores Brink's, no Recife, na madrugada desta terça-feira (21), foi praticada por uma quadrilha de ação interestadual. Com a extensa quantidade de munições utilizadas pelos suspeitos deixadas para trás durante a fuga - apreendidas pelos policiais e apresentadas durante a tarde na sede do Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri) - o caso toma um rumo diferente das investigações criminais já realizadas em Pernambuco.

"O modus operandi dessa ação é bem diferenciado dos demais que observamos aqui, mas esse tipo de atuação já foi observado em outros estados", explica o delegado Joselito Amaral, chefe da Polícia Civil.

Durante a coletiva, as autoridades também afirmaram que, apesar da grandiosidade da ação, o principal objetivo dos criminosos - roubar o cofre com o maior montante da empresa - não foi atingido. "Eles conseguiram explodir o primeiro cofre da agência, mas o objetivo era um outro cofre, com o montante principal. Com a chegada da polícia, eles não conseguiram concluir a ação e fugiram, deixando carros e munições para trás", explica o coronel Vanildo Maranhão, comandante da Polícia Militar de Pernambuco. Os valores roubados e visados pelo grupo não foram divulgados por motivos de segurança.

A polícia mostrou explosivos, carregadores, detonadores e munições de diversos calibres, capazes, inclusive, de derrubar aeronaves. Além de apreender os artefatos, a polícia também identificou uma casa de apoio utilizada pelo grupo e acredita que a perícia dos instrumentos encontrados pode levar à identificação dos autores do crime.

"Nós já sabemos a base onde eles ficaram, onde muitos materiais foram apreendidos. A partir deste levantamento e da investigação, a Polícia Civil espera identificar e prender todos os envolvidos", pontua o delegado.

Entenda a ação

De acordo com o chefe da PM, a ação teve início por volta das 3h desta terça (21). "Dois caminhões passaram pela Avenida Recife em direção à sede da empresa e, do outro lado, já próximo à Brink's, havia uma blitz do Batalhão de Trânsito. Os criminosos passaram na via contrária, desembarcaram num local próximo ao alvo e fizeram um perímetro de segurança na empresa", explica.

Após a chegada, um grupo armado realizou a primeira explosão para conseguir entrar no local e, em seguida, explodiu o primeiro cofre de segurança. "A equipe da blitz era composta por dez policiais, armados apenas com pistolas, e por isso pediram reforços para outras companhias policiais", conta Maranhão. Ao todo, 138 homens estiveram envolvidos na repressão aos criminosos. Com a chegada dos policiais, os suspeitos, ainda não quantificados pela polícia, não conseguiram explodir o segundo cofre e fugiram.

Durante a fuga, o grupo deixou para trás os materiais que seriam utilizados na ação. Entre os objetos encontrados pela polícia estão munições para pistolas e para fuzis de uso restrito a policiais. "As munições para fuzil podem atingir uma distância de até três quilômetros a partir do local de disparo", explica o coronel Vanildo Maranhão. Ainda foram recolhidas máscaras de oxigênio, coletes à prova de balas e roupas semelhantes ao fardamento utilizado pela Polícia Federal.

De acordo com a Polícia Civil, os materiais foram apreendidos em carros encontrados no bairro do Curado, na Zona Oeste do Recife, e nas proximidades da Arena de Pernambuco, em São Lourenço da Mata, dentro de um clube da PM utilizado para a prática de tiros.

Os materiais foram encaminhados ao Instituto de Criminalística e passarão por perícia. "Nós recebemos uma grande quantidade de materiais e não temos como dar um prazo para o fim dessa análise, porque são produtos de diversas naturezas", comenta Sandra Santos, chefe da Polícia Científica.