Morre Arcebispo Don Paulo Evaristo Arns

A CNBB relembra o ministério episcopal de dom Arns, que se deu especialmente durante os anos da ditadura militar

Por Harlis Barbosa 14/12/2016 - 21:19 hs

A CNBB relembra o ministério episcopal de dom Arns, que se deu especialmente durante os anos da ditadura militar

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifestou, por meio de nota, pesar pelo falecimento do cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, que morreu nesta quarta-feira (14/12), em São Paulo. A CNBB relembra o ministério episcopal de dom Arns, que se deu especialmente durante os anos da ditadura militar e ressaltou que o religioso "sempre foi um pastor símbolo da fidelidade à Palavra de Cristo e aos Ensinamentos da Igreja".

 

A Conferência, destacou, ainda, a importância do Cardeal para a Arquidiocese de São Paulo — na qual ele se tornou ícone da defesa dos desamparados e perseguidos.


A nota, assinada pelo Bispo auxiliar de Brasília, Leonardo Ulrich Steiner, relembra os escritos de esperança e luta do cardeal. A CNBB%u200B pede%u200B que toda comunidade se una em oração, na tentativa de enviar pêsames e abraços fraternos aos familiares de Arns.

 

Confira a nota na integra:

Nota de pesar da CNBB pelo falecimento do Cardeal Paulo Evaristo Arns

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) manifesta seu pesar pelo falecimento do querido Cardeal Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo (SP). Em sua longa e frutífera existência, este nosso Irmão deu testemunho da alegria do Evangelho.

Em seu ministério episcopal, especialmente durante os penosos anos do regime de excessão vividos pelo Brasil, ele foi sempre um pastor símbolo da fidelidade à Palavra de Cristo e aos Ensinamentos da Igreja. Dom Arns tornou-se um verdadeiro ícone da defesa dos desamparados e perseguidos. Ele jamais faltou ao seu compromisso com as comunidades da Arquidiocese de São Paulo – onde serviu como bispo auxiliar e arcebispo – e também com toda a Igreja presente no País. Sua palavra sempre trouxe especial alento ao coração dos cristãos e deu significativa contribuição na luta contra a tortura e o restabelecimento da democracia.


Dom Arns, como Francisco de Assis, encontrava na prática de Jesus a motivação fundante para sua predileção pelos pobres e desamparados da sociedade conforme declarou em uma de suas obras mais conhecidas: “Jesus não foi indiferente nem estranho ao problema da dignidade e dos direitos da pessoa humana, nem às necessidades dos mais fracos, dos mais necessitados e das vítimas da injustiça. Em todos os momentos Ele revelou uma solidariedade real com os mais pobres e miseráveis (Mt11, 28-30); lutou contra a injustiça, a hipocrisia, os abusos do poder, a avidez de ganho dos ricos, indiferentes aos sofrimentos dos pobres, apelando fortemente para a prestação de contas final, quando voltará na glória para julgar os vivos e os mortos” (Da esperança à utopia: testemunho de uma vida).

Rezemos para que o Senhor, por intercessão da Santíssima Virgem Maria, receba seu servo fiel na Comunhão dos Santos. Em nome da presidência da Conferência, envio um abraço fraterno aos familiares de dom Arns, ao cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer e a todas as comunidades da Arquidiocese.