MT é 2º que menos desperdiça força de trabalho no país; índice é de 13%

Por Harlis Barbosa 23/11/2016 - 22:44 hs

Estado também ficou com taxa de desemprego geral em 9%, valor abaixo da média nacional, de 11,8%

Mato Grosso é o segundo estado do país com a menor taxa de subutilização de força de trabalho no terceiro trimestre deste ano. Calculado em 13,2%, o indicador - que agrega os desempregados, a taxa de pessoas que trabalham, mas gostariam de trabalhar por um período maior e de pessoas que estão procurando emprego -, mostra que o Estado, mesmo com cenário de crise, ocupa boa posição no ranking que avalia subutilização da força de trabalho entre estados. 

O estado também ficou com uma taxa de desemprego geral em 9%, valor abaixo da média nacional, que foi de 11,8%.  Apesar disso, o desemprego subiu em todas as regiões. No Centro Oeste o número de pessoas sem ocupação foi de 7,5% para 10%. 

De acordo com o professor e economista Aurelino Levy Dias de Campos, os dados evidenciam que Mato Grosso tem tido uma melhor produtividade e por isso tem se saído melhor nesse período complicado que vive o país. “Com essa taxa, nós podemos considerar que a crise atingiu menos aqui. E tudo funciona como um ciclo. A taxa agrega, por exemplo, jovens e idosos no mercado de trabalho. Com eles empregados, o dinheiro gira e gera outras boas oportunidades.”, explicou.  

Os números, de acordo com o economista, também refletem o esforço que está sendo feito entre os diversos setores. Além disso, ele pontuou que o agronegócio é parte importante desse ciclo e tem deixado a balança comercial favorável. 

“Está sendo feito um bom trabalho em conjunto dos agentes públicos, secretarias de trabalhos e todos os operadores de emprego, que são as empresas. Apesar de não termos uma forte industrialização, o trabalho feito pelo comércio local acaba deixando grande parte da mão de obra ocupada. Nós soubemos lidar com esse problema (falta de industrialização) e transformar essa questão, que era um problema, em um fator positivo”, disse.

Dados

O valor geral de subutilização do Brasil ficou em 21,2% no país. O valor é pouco mais de 1 ponto percentual maior do que o registrado no semestre passado, quando o país tinha 20,9% de pessoas enquadradas nesse quesito.

 Nesse trimestre, à frente de Mato Grosso ficou apenas Santa Catarina, Estado com menor taxa de subutilização, de 9,7%. Paraná ocupa terceira posição no ranking, com aproximadamente 14%. Os estados nos quais a força de trabalho é mais desperdiçada (ou subutilizada) foram a Bahia (34,1%), Piauí (32,6%), Maranhão e Sergipe (31,9%).

A maior taxa de subutilização de emprego ficou com a região Nordeste (31,4%) e a menor ficou com a região Sul (13,2%). 

A pesquisa ainda mostrou que a taxa de subutilização é maior entre as mulheres. Aproximadamente 25% das mulheres do país ou estão desempregadas, ou estão com algum tipo de insuficiência nas horas de trabalho ou gostariam de trabalhar. Entre os homens, o valor ficou em 17%.

Por grupos etários, a taxa ficou em 62,3% entre a população entre 14 e 17 anos; 37,1% para os jovens de 18 a 24 anos; 19,3% para os grupos de 25 a 39 anos e de 14,3% entre brasileiros de 40 a 59 anos.

A pesquisa foi divulgada ontem (22) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados foram levantados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), que é realizada mensalmente pelo órgão.