IBAMA FLAGRA GRUPO CRIMINOSO EXTRAINDO MADEIRA DE TERRA INDÍGENA EM MATO GROSSO

Por Harlis Barbosa 15/10/2016 - 20:36 hs

Em Aripuanã os maquinários encontrados em areas indigenas foram destruidos.

Durante o mês de outubro foram realizadas várias ações de fiscalização ambiental nas terras indígenas de Mato gorosso. Em uma operação do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA, realizada na Terra Indígena Apiaká-Kayabi, localizada no município de Juara (distante 690 km de Cuiabá), com o apoio da Polícia Militar Ambiental do estado de Mato Grosso, foi flagrada extração ilegal de madeira. O esquema criminoso se valia de estrutura invejável para furtar a madeira da união. Foram apreendidos cinco caminhões bitrem, uma pá carregadeira, dois tratores de pneus, um trator de esteira, duas caminhonetes e duas motocicletas.

Os infratores possuíam nos caminhões e nos tratores rádios instalados para comunicação entre os membros da quadrilha alertando para a presença do IBAMA. Somente foi possível o flagrante devido a movimentação da equipe de fiscais pela madrugada e por estrada de acesso pelos fundos da área. “Quando a quadrilha foi alertada as viaturas já estavam no interior da terra Indígena”, informa o chefe da fiscalização em Juína, Edilson Fagundes. “Com base em dados do Núcleo de Inteligência, nossa equipe fez campana e atacou no momento exato”, completou Fagundes.

No local ainda foram apreendidos 1.351 m3 de madeira em toras, cinco motosserras, duas armas longas e munição de vários calibres. Quatro pessoas foram detidas no local. Porém cinco caminhoneiros que estavam presentes no local, juntamente com o responsável pela retirada da madeira, empreenderam fuga pela mata ao perceberem a chegada dos agentes. Todos os equipamentos foram apreendidos e encaminhados ao pátio do IBAMA em Juína.

Além das apreensões já foram lavradas oito autuações ao proprietário da área vizinha a terra indígena e aos proprietários dos maquinários, somando quase dois milhões de reais em multas. As investigações continuam para verificar o grau de envolvimento de empresários do ramo madeireiro em Juara e no interior de São Paulo. As multas somadas ultrapassam dois milhões de reais. Não há indícios de participação de indígenas no esquema, uma vez que a extração era realizada numa extremidade desabitada da Terra Indígena.

“Os responsáveis pelo crime terão contra si, além das multas, a mão pesada da justiça federal”, disse o superintendente do Ibama em Mato Grosso, Marcus Keynes. “Atualmente o Ibama dispõe uma equipe de agentes altamente treinados somente para tratar de casos de crimes ambientais em terras da união (Assentamentos do Incra, Unidades de Conservação e Terras Indígenas)”, conclui Keynes.

TERRA INDÍGENA CINTA LARGA

Em outra operação do IBAMA, também com o apoio da Polícia Militar Ambiental do estado de Mato Grosso, realizada na Terra Indígena Aripuanã, da etnia Cinta Larga, foi flagrada extração de madeira ilegal. Foram apreendidos um trator florestal Skyder de pneus, uma pá carregadeira e uma motocicleta. Os infratores se evadiram quando perceberam a fiscalização.

A exploração de madeira era realizada rapidamente, não havia estoque de madeira na mata. Somente os tocos foram encontrados junto às trilhas de arraste. Percebendo-se que era dada prioridade para as árvores maiores e de espécies valorizadas pelo mercado.

A retirada de madeira da terra indígena Aripuanã, na região conhecida como Pavorosa, no município de Aripuanã (distante 976 km de Cuiabá), já havia sido constatada no ano de 2013. O Ibama tentou naquele ano rastrear a madeira para identificar as empresas envolvidas no esquentamento de madeira da terra indígena, entretanto os equipamentos (câmeras e rastreadores) foram localizados e destruídos pelo grupo criminoso e os agentes foram cercados e ameaçados pelos índios quando estavam saindo da área.

“Infelizmente há participação dos indígenas na destruição da floresta, como foi mostrado em reportagem de junho do ano passado. Desta vez nossos agentes foram para tomar medidas drásticas e cessar o dano”, argumentou o superintendente do IBAMA em Mato Grosso Marcus keynes. “Temendo novo confronto com indígenas e considerando que os responsáveis se evadiram do local nossa equipe tomou a decisão mais apropriada, prevista em lei, que foi a destruição dos equipamentos”, completa Keynes.